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 Street-Art: Uma outra Bienal é Possível! 




29ª Bienal de SP: uma urbe em labirinto!

[25/set à 12/dez - Pq. Ibirapuera]





* ! * Aviso: texto pesado, técnico. * ! *



   Falamos em Street Art com certa bipolaridade: capaz de produzir belos grafismos, como Arte, mas viver as ruas em plenitude, como vândalos! Ficamos tristes ao ver o Cristo Redentor maculado por "tintas sujas", "tintas rebeldes". Entre o luxo e o lixo, a pixação e o grafiti expõem as artérias da arte nacional.




- O que eles pixaram?
“Onde está a engenheira Patrícia?”, desaparecida em 2009.
Forças Policiais do estado estiveram sob suspeitas.
O dono desses andaimes foi morto em mistério.
Os jovens pixadores foram punidos.
A urbe é um labirinto...



   Sob as pedras lançadas, voltamos olhos às contradições: marginalidade ou arte? São ilegalidades impressas sobre a monumentalidade urbana - um segundo antes de se tornarem um objeto de Arte. De lagarta à borboleta, nos deparamos com técnicas bem desenvolvidas, senso estético apurado, galerias de Arte... É Arte.


Foto: exposição de graffiti Usina Urbana/Porto Algre.RS





   Também é inegável - não encontraremos pixadores e grafiteiros eruditos. Não costumam ter as melhores escolas. A escola, como a legenda diz, é "a rua". Vejamos um erudito: Lúcio Costa. Sua arquitetura harmoniza o concreto armado com a natureza em volta: o residencial Parque Guinle deu-lhe prêmios, mas a Barra da Tijuca [plano diretor Lúcio Costa] - nem seu autor a reconhece! Não é o preço do apê, mas o conjunto, urbanismo pensado, harmônico. A Barra é uma "Arte" maculada por um mar de espigões, especulação crua...




Obra de Marcel Duchamp (+/- 1950)
Tema: urinol

- uma gozação que hoje custa 2 milhões de dolares, a cópia.
- o original foi pro lixo após a 1ª exposição, antes da 2ª guerra.


   Arte como pensamento estético, técnico, histórico - há nobreza nisso. Porém, as Escolas de Artes não dispõem de recursos para agir com autonomia e poética pela urbe. Aceitam outra direção - a Arte Moderna é de claro apelo burguês, de mercado. Uma cópia banal, da foto de Marlyn Monroe, tornou Andy Wharol um mestre. Um "mijador" de louça - poderia ter sido uma privada - ganhou stand e status com Marcel Duchamp. Iiih! Poeta Xandu Pirou nessa! O assunto é arte, mas arte qualquer coisa, esse papo, tá qualquer coisa de Caetano. Aranha arranha o jarro!

   Cópias xerox, privadas... por que não caligrafias? Tá certo - a tela desse pintor, afinal, é a parede alheia... Toda Rabiscada!



CalliGraffiti

Uma pixação bem diferente...





Ou... Assista na Telona:
CalliGraffiti (Clicaqui!)
Youtube: wongtsji





Na Foto:
Graffiti de Alex Vallauri
sucesso na Bienal de 1985
"bolo e festa pra rainha!"

   Alex Vallauri tem obras revalorizadas - é O CARA! É pioneiro na street art no Brasil, com stêncil, com graffiti. Ouço alguma voz falando mal de Vallauri? Silêncio. Caligrafias, desenhos animados, logotipos industriais, o desenho industrial dita a nova arte à revelia dos gabaritos. Algo além? O gótico imenso? O kitsh? Misteriosos, surgem dos intestinos da estética comercial, usando instrumentos, tipos e traços globalizados - fazem o belo atual. Só nos resta observar o movimento desses novos atores da Arte Contemporânea.




Grupo "Sustus" participou das pixações:
Faculdade de Belas Artes, Galeria Choque Cultural, "Bienal do Vazio".
Arte interativa na 28ª Bienal SP! Conheça:
click!! Grupo Sustus!! Click!





Foto: obra "stand vazio", na 28ª Bienal SP.


   Não mais a inocência de Alex Vallauri com sua "Rainha do Frango Assado”, lançando modas na Bienal de 1985. Vivemos profundamente um stand arquitetônico, vazio provocativo elencado como estética urbana. Uma parede branca, cobiçada... De quem são as paredes da cidades? Diga, Poeta Xandu, diga! De quem é a pixação? De quem é esse grafiti? É meu, só meeeu!! A voz do pixador ecoa na galeria! Gritos de dor, ressoam berros desesperados, lágrimas de desencanto... A urbe já não lhe pertence. Estrela grandiosa na 28ª Bienal de Artes de SP? O anônimo e múltiplo ser pixante, grafitante - compulsivo!




Trailer: "PIXO" de João Weiner (2009)

Cenas da invasão a Faculdade Belas Artes


*Parte das exposições na a 28ª Bienal (2008)



Ou... Assista na Telona:
28ª Bienal SP! (Clicaqui!)
Youtube: tripsandre



   Esporte-piche é arte marcial na urbe, vandalismo competitivo e população pegajosa. O que dizer se o código inclui status? Disputam em quantidade e qualidade. Ponto. Nessa Arte de Instalação, a régua mede altitudes prediais e lugares exóticos - um feito em desafio. Na rua, freio pra rebeldia é polícia - sabemos todos. Arte de Rua é pauleira! Com um punhado de tintas a mais, muito diálogo e ação educativa, vemos crescer o movimento Hip Hop - atuando em lugares desprezíveis para o Estado.


Abaixo: grupo contra "espigões" no Guaíba/Porto Alegre.



   Nascem da desigualdade e da sujeira da sociedade. Sim, são pobres. No quadrinho do Angeli, Bob Cuspe vive no esgoto, vendo TV e escutando "Police on ma back" do Sex Pistols. Prática artística: sair do esgoto e aplicar cusparadas seletivas nos transeuntes - diversão para os leitores.




Quadrinhos do Angeli: arte de ser "radical"


   Nosso super-herói rebelde está próximo disso: entocados nas favelas, suas tragédias familiares são acompanhadas pelos jornais. Só não é "algo" divertido para o Poeta Xandu... Cobaias da TV, vítimas desse Big Broder, mas uma política que educa: mostra, convence e vende símbolos. Fora das zonas de aparthaid, aplicam pelas paredes os mesmos conceitos massivos: enchendo-as de imagens globalizadas! Aqui e ali, ratos encantados pintam, falam, explicam. Proclamam um educador "underground" - um pouco mais erudito que a média que vê TV.

            





!! Hans Staden não foi comido !!
- se borrou todo... na sopa. -


   O Graffiti é um passeio pela fronteira: um choque entre o selvagem e o civilizado. A polêmica foi lançada na Semana de Artes de 1922, marco do Modernismo brasileiro.

Ao lado de Tarcila do Amaral e Mario de Andrade, o escritor Oswald de Andrade chamou ANTROPOFAGIA, o “jeitinho” que temos de aceitar novas modas e misturá-las a nossa cultura - tentar traduzir em Arte o múltiplo nacional. Para isso, usou a figura pretérita de Hans Staden, um prisioneiro alemão que escapou de uma tribo brasileira. Literatura da "ilegalidade", Hans Staden traduziu em palavras civilizadas a "selvageria" dos nativos - o "índio canibal"! Nós, canibais? Que vergonha! Com orgulho rebelde, singelo sorriso, escorre sangue pelo canto da boca - gostamos de sê-lo!
Até os ossos!


Obra de Tarcila do Amaral: Abaporu



   Diria Gilberto Freire se pudesse: "papando e sendo papados", índios, africanos e portugueses fizeram o Brasil híbrido - Macunaíma como "enigma da esfinge". Tarcila do Amaral (Abaporu) pôs destaque aos pés imensos - retirantes nordestinos, léguas pelos do sertões. Assombram cidades: a fome-que-anda chega até as capitais... São bodes-expiatórios do Brasil em retrocesso, atrasado, in-civilização. Difamados como raça inferior. Por serem pobres, sofrem: desnutridos, violentados, esterelizados, jogados na Amazônia - o sorriso banguela e os pés imensos. Brasília, hoje, é resultado desses "pés imensos". Tiradentes? Um marginal julgado e enforcado - ou herói nacional? Outro: Zumbi dos Palmares. Seja marginal, seja herói! - concluiu a Arte radical de Hélio Oiticica.


Na Foto: obra de Hélio Oiticica.
Tema: bandidos vendem jornais.
Cara de Cavalo, até morto, é estrela dos noticiários.





   Diante das cicatrizes no Cristo Redentor: anjos caídos. Dois jovens, negros, pobres, rebeldes, perdem o anonimato: punidos diante das câmeras da TV. É divertido, aproveitamos: xingamos eles! Mas se olhamos de novo: Teatro da Vingança. Pixaram o filho de deus... precisam levar um castigo. O povo quer vingança! desculpas de joelhos! lágrimas! arrependimento e dor! O que fazem na TV? Anúncio: uma nova máquina é capaz de limpar pixações - maravilha! Outro anúncio: a escravidão acabou, as penas são alternativas... E o prefeito manifesta-se por todos nós: servirão na limpeza pública!




Foto de Lia Camargo, blog:
http://justlia.mtv.uol.com.br/2008/07/fake-lomo/


   OsGêmeos são um sucesso! Sua arte ocupou muros, restaurantes, lojas, seguiu como obra de arte, circulando por castelos, museus, centros culturais! OsGêmeos bradam em bom tom: devolvam meus muros grafitados!! E o prefeito? Atende de pronto! Em seus desenhos surgem esses jovens tão falados. Jovens de capuz. Alguns com as tintas em punho, outros com metralhadoras em punho. Sentimentos passam. Seres humanos cortados ao meio - as espirais dos contraditórios sentimentos nacionais.





   Não se pode exigir uma "civilização reta" desses "novos heróis". A cultura "de rua" está no nível do baixo consumo,






um frango assado de padaria. Massas humanas com poteciais disperdiçados pelas más condições de vida... O pixador é indomável. Talvez queiramos a civilização, mas... Proibir latas de spray é como atacar hortas transgênicas a fim de acabar com agro-buziness. Engordamos, infartamos, mas não largamos o hot-dog. Porcarias, quinquilharias desejáveis - o mais fino avanço da indústria chinesa. Descartáveis entopem lixões. É, por fim, uma arte gótica!








Município de Sinop (MT), Câmara de Vereadores.
(Foto: Reprodução/TV Centro América) (G1)


   A tinta está lançada. Por bom senso, sua nova edição, 29ª Bienal de São Paulo, prometeu um conjunto de ações educativas: em escolas, ONGs, comunidades. A antropofagia "reloaded" inclui os "terreiros vivos" da população, como "um Copo de Mar para um Homem Navegar" - algum lugar para pixadores e grafiteiros também! Irá civilizá-los... Jamais! Digo em respeito ao velho abandono social - uma tradição atualizada em coronelismo-pop, um land-lord eletrônico. Poeta Xandu diz isso em respeito aos novos arte-educadores: personagens-ícones do hip-hop. Que vivem ou viveram "as ruas". Levam cicatrizes disso. Amigos e parentes perdidos na violência urbana - a tal street art é veloz e ao vivo, para não ser morta.




Foto: Graffiti no Encontrão/2010
- Enraizados de Nova Iguaçu


   Nossos "street-educadores" são exemplos verdadeiros, próximos, pessoas confiáveis para o público-alvo. São milhares de jovens pobres que esbarram no bordão: "eu poderia estar roub..." Não, não está! No Encontrão da Baixada (jan/2010), o espaço Enraizados garantiu a presença dos graffs: Anarquia e Amen. A primeira, hoje é formada em Belas Artes, dá aulas em Ipanema e até já recebeu um prêmio de direitos humanos pela ONU. Amém, formado em comunicação, integra o projeto Raízes Em Movimento, atuando com meninos do complexão do Alemão. É a tentativa sincera de mostrar evolução na arte gráfica, "de rua" - o graffite iconológico como um passo além da pixação.


Esquerda: Graffiti em Cangulo, Caxias.RJ
BiBlioteca Comunitária Solano Trindade




   Militante Hip Hop sem fronteiras, Marcio Graffiti representa pelo Coletivo Anti-Cinema e faz itinerância por Caxias, Belford Roxo e... Iguatu? Sim, dentre tantos outros lugares, suas oficinas já chegaram ao sertão cearense: difundindo tintas e áudio-visual de baixo orçamento. Nos Encontros de Graffiti na Pedra de Guaratiba, organizados pela FZO Crew, atua-se do mesmo modo - com poucos recursos e muito compromisso pela zona oeste. Na Rocinha as obras do PAC deixaram o cinza gigante, dos enormes muros de concreto. Devidamente grafitados pelos arte-educadores da GBCR, até o presidente quis visitar a obra de arte.






   E se fosse falar da Baixada Santista? Poeta Tubarão Dulixo e sua trupe. Lado Leste de São Paulo? Encontraria o Grupo O.P.N.I. Em Caxias do Maranhão? Seria no Quilombo Urbano. No Centro-Oeste? No Sul? - a lista daria a volta no planeta. Para um projeto de nação, sim, carece a antropofagia, revelar o lado heróico dos ditos "marginais", valorizá-los. Tratamos, enfim, de um grande esforço de poucos por superar o consumismo ralo, a pobreza e a passividade de muitos. Não podemos mais brindar a falta de oportunidades, a falta de boas escolas e a desigualdade.


Esquerda: Arte Gráfica do Poeta e Artesão Tubarão do Lixo.

Direita: Graffiti do OPNI/SP - 100 anos de Solano Trindade



   A Bienal fez bem em se reprogramar. Exigir o apoio do governo para atuar em comunidades pobres, arte para favelas, abrir um "canto" para a







   street art... é por aí... e ainda é pouco. Arte é mais! Muitos sentimentos afloram, muito mais gente para educar e ser educada. É fundamental atuar com jovens através de meios saudáveis, inteligentes, não esperar o triste encontro do jovem com a revolta. O estado democrático criou um monstro, enfraquecido, doente por drogas. Ou pior: uma multidão tida como alvo dos abusos policiais, das forças oficiais. Se entre os miseráveis há um corte negro, por que não falar em restolho escravocrata, gerência pró-racista? Burocracia ou racismo - seja como for, há de se encontrar a força vital de uma sociedade do futuro.



Dia Feliz na Favela:
Mutirão de Graffiti (2008) com Raízes em Movimento/Rio.




   Com passe livre nas favelas, os street-educadores encontram atuação garantida nas diversas ONG's. Trabalham com conceitos complicados: desde estética e sociedade, até o caos - seres humanos nas prisões, outros tantos nos lixões.



   É a real Arte Urbana, modelagem de mentes, coleta seletiva pró-povo, uma reciclagem social, humana. Por isso graff Ment foi lembrado pelo RED PROJECT. Um graff brasileiro escalado na prevenção à AIDS na África, com peças globalizadas. Ment, um dos pioneiros na cena carioca, não larga as galerias, nem os projetos sociais. Mas está forte,
fortaleza nas principais manifestações do graffiti brasileiro - ganhando Prêmios, circulando pela América Latina, Europa, EUA. É banca do Hip-Hop. Hip Hop na arte-educação é "freio de camburão". Que venham os Street-Educadores e sua Arte consciente! Fim? Acho que é o começo.



sssssssssssshshshshshshshssh!
                                              sh!sh!
                                       ssh!sh!sh!shshsh!
                        sh!sh!sh!sh!
               sh!sh!sh!
  cloc-cloc-cloc-cloc!

sshshshshhhhh! Poeta Xandu - 1 rabisco no seu pensamento!



Editorial de Setembro:

B.Boy Coyote no Baixada Flow - Conferir?

Clicaê...                            



B.Boy Luck e a GBCR - Conferir?

Clicaê...                            





Ball Dash e Poesia Breaker - Conferir?

Clicaê...                            







Quer as BATALHAS? Só apertar aê:


                            Vá para...

1 comentários:

Mario Bands disse...

Muito Bom mano! Estou compartilhando com os amigos o artigo.
Bands